UBER ACHOU QUE PORTO ALEGRE ERA TERRA DE NINGUÉM. E PARECE MESMO!

A revista Época trás uma matéria que pode alterar os planos do prefeito de Porto Alegre – sua candidatura ao senado em 2108 –  Para o prefeito de Porto Alegre,  José Fortunati, o Uber é prepotente por não respeitar as leis. Faltou olhar para o próprio quintal… A EPTC passou 15 dias alardeando que montaria flagrantes para pender carros da Uber. Não foi necessário, os próprio taxistas envolvidos na covarde agressão fizeram o serviço sujo para Vanderlei Cappellari.

Fortunati terá o apoio de 11 partidos

“O Uber achou que Porto Alegre era terra de ninguém. Não é”. A frase é do prefeito da capital do Rio Grande do Sul, José Fortunati, em entrevista à Rádio Gaúcha na última quarta-feira (25). O título deste texto, portanto, é uma brincadeira (séria) com a fala do prefeito.

Fortunati falava sobre o projeto de lei que proíbe o Uber e aplicativos similares na cidade, aprovado na Câmara de Vereadores no mesmo dia. Também reforçou que todo o transporte considerado clandestino continuará sendo multado e apreendido. “Aqui tem prefeito, tem Câmara de Vereadores e tem leis”, disse. Tem mesmo, mas parece que essa estrutura toda não está impedindo que o sistema de transporte já existente funcione à margem da lei.

A esta altura você já deve ter visto o vídeo ou a foto do homem que ilustra o texto. O nome dele é Braulio Pelegrini Escobar e ele dirigia na tarde de quinta-feira (26) um veículo Fiesta a serviço do Uber. Escobar foi chamado pelo aplicativo por dois taxistas, que o sequestraram e depois o espancaram covardemente. “Olhe bem para o meu rosto quando você disser que Porto Alegre não é terra de ninguém”, disse Escobar ao prefeito Fortunati.

uber escobar
Escobar em entrevista ao site da Zero Hora. Ele reconheceu os dois agressores

Braulio denunciou e reconheceu os dois agressores: os taxistas  Cauê Cavalheiro Varella e Alessandro dos Santos Schesser. Umareportagem da Rádio Gaúcha mostrou que ambos têm antecedentes criminais. Varella tem apreensão de um colete a prova de balas, ameaça e vias de fato. Já Schesser possui histórico de ameaça e lesão corporal. Ressalta-se que eles não têm condenação pelos fatos. Mas a conduta de ambos já era meio que conhecida das redes sociais. Varella, por exemplo, tinha uma foto em seu Facebook exibindo um soco inglês.

soqueira
Foto com um soco inglês retirada do Facebook de um dos agressores (Foto: reprodução/Facebook)

E a lei?

Aqui temos um primeiro problema. São duas pessoas com antecedentes criminais que estão trabalhando como taxistas. Normalmente, as legislações das cidades exigem que a pessoa não tenha antecedentes criminais para conseguir uma licença como taxista. O mesmo vale para o Uber, que faz a checagem.

Uma reportagem da Zero Hora publicada há alguns dias também mostrou um segundo problema com o cumprimento das leis em Porto Alegre: a naturalidade como agem os “Barões das Placas”. Um deles é o aposentado  Sérgio Renato Borba Feltrin, de 58 anos, que controla uma frota de 30 táxis irregulares na cidade. A reportagem calculou que pelas mãos de Feltrin circula um patrimônio de concessões públicas que pode ser convertido em R$ 10 milhões.

Com base nos últimos acontecimentos, é de se espantar que tenha havido uma mobilização grande por parte dos vereadores e do prefeito de Porto Alegre para combater uma empresa que vem de fora, quando existem problemas tão graves dentro do seu próprio quintal.

Os cidadãos de Porto Alegre não deixaram a atitude dos taxistas passar incólume. Um evento no Facebook marcado para o dia 1 de dezembro pede boicote aos táxistas na capital gaúcha. Até agora, 70 mil pessoas disseram ter interesse em participar.

Ao ser perguntado sobre a agressão hoje, o prefeito Fortunati foi às redes sociais para se pronunciar. “Eu repudio todo o ato de agressão, principalmente esta de tamanha covardia que tomei conhecimento, em que motoristas de táxi agrediram o motorista do Uber”, disse.

Por BRUNO FERRARI

http://epoca.globo.com/vida/experiencias-digitais/noticia/2015/11/o-uber-achou-que-porto-alegre-era-terra-de-ninguem-e-parece-que-e-mesmo1.html