DILMA! NEM EM CASAMENTO ESCAPA DE APITOSPANELAS

Manifestantes protestam em casamento de médico de Lula e Dilma, em SP

RICARDO CHAPOLA E SONIA RACY – O ESTADO DE S. PAULO

dilma protesto
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Cerca de 30 manifestante reuniram-se na porta da cerimônia de casamento do cardiologista Roberto Kalil Filho e da endocrinologista Claudia Cozer, na noite deste sábado, 9, em São Paulo. Como o médico tem entre seus pacientes a presidente Dilma Rousseff, convidada a ser madrinha, e o ex-presidente Lula, suas presenças eram aguardadas pelos manifestantes. Entre os presentes, o ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o governador Geraldo Alckmin, o secretário de Segurança Alexandre de Moraes, o deputado federal Paulo Maluf e o cantor Gilberto Gil.

Por volta das 21 horas, com a chegada da presidente Dilma Rousseff, moradores de prédios em volta do bufê Leopolldo, na Rua Tabapuã, bairro do Itaim Bibi, começaram a bater panela. Do lado de fora da recepção, pessoas que souberam do evento por movimentos nas redes sociais que pedem o impeachment da presidente Dilma, como o Acorda Brasil e Vem Pra Rua. Entretanto, fizeram questão de ressaltar que não se trata de protesto oficial dos movimentos, embora parte dos manifestantes seja ligada a eles. Dilma chegou sob bateção de panela e apitos. Ouvia-se gritos de “Fora PT” e “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro”. A presidente foi embora às 22h45 sem chamar a atenção dos manifestantes.

Um convidado questionou um segurança da Presidência sobre a quantidade de manifestantes na rua do lado de fora. E a resposta foi “só tem quatro”, apesar de haver mais de 30 pessoas protestando na porta. Outros políticos como o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, também compareceram à celebração.

Após o fim da cerimônia, numa mesa redonda, se reuniram Dilma, Lula, Dona Marisa, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e José Serra. E um outro espaço na mesa foi sendo ocupado por várias pessoas, como o governador Geraldo Alckmin e o secretário de Saúde do Estado, David Uip.

Na chegada do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, manifestantes gritavam “Fora PT!”. Em seguida, cercaram o carro do senador Renan Calheiros enquanto gritavam “Impeachment!”, pedindo que aprovasse o impeachment da presidente. O presidente do Senado chegou um pouco atrasado e se incomodou por não ficar na primeira fileira. Por outro lado, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad sentaram lado a lado na primeira fila, que também tinha Aloizio Mercadante. Da cerimônia se podia escutar os protestos e panelas batendo, mas durante o jantar, em outro ambiente, já não se ouvia mais.

Os organizadores do casamento haviam combinado com os movimentos a não realização de ato algum. Entretanto, os manifestantes surgiram espontaneamente com cartazes e faixas de cerca de 2,5 metros cada. Entre os dizeres, “Pela investigação total de Dilma e Lula #vemprarua”, “Pela ‘despetização’ do Estado brasileiro” e “Pela abertura da caixa preta do BNDES”. Apesar da inscrição Vem Pra Rua, uma participante afirmou que os cartazes não são do movimento.

Quando o presidente do PT, Rui Falcão, chegou a bordo de uma SUV, foi abordado por uma mulher que lhe disse: “Rui Falcão, pra quem não gosta de elite, hein?”, em referência ao veículo de luxo que dirigia. A presidente Dilma foi o principal alvo dos protestos. “Essa terrorista apoia o governo Maduro. Fora PT, fora Dilma!”, pedia a hoteleira Selene Salomão de Carvalho, de 49 anos, ligada ao movimento Brasil Livre, e que ficou sabendo do evento pelas redes sociais. Selene já foi candidata pelo Psol  à prefeitura de São Lourenço, Minas Gerais.

O cartorário Adriano Cantelli, de 33 anos, estava no balada Sr. Pitanga, mas quando soube do casamento e da presença de Lula e Dilma, veio protestar. Ele gritava “Fora PT” e, quando o senador José Serra chegou, disse “fala com o povo e deixe de ser covarde. Eu votei em você e você está decepcionando”. O senador estava com o vidro do carro fechado. Em seguida, pediu para Serra aprovar o impeachment e fazer oposição, de fato.

O secretário de Relações Institucionais da Prefeitura, Alexandre Padilha, foi chamado de “ladrão” ao chegar ao casamento. Ele entrou pela frente, à pé, ao lado dos manifestantes.